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sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Relato da maratona 4 - Os primeiros km.

Logo no início (acho que isso é geral, pois também senti em outras maratonas), fiquei meio anestesiado, fora do estado de alerta usual de antes da maratona. Os primeiros metros, lembro-me que passei por um grupo com uma bandeira do Brasil e não me contive e gritei “Brasil” e obtive, obviamente, a resposta com palavras de estímulo. Mais adiante passamos ao lado do Milenium Park, onde estivera no dia anterior com Lúcia Helena e Débora. Em seguida, passamos por baixo de um viaduto e isso comprometeu a captação do sinal do satélite pelo meu GPS Forerunner, o que terminou causando um erro de 300 metros no final da corrida. Os primeiros 10km eu deveria correr a uma média de 5:20min por km e eu deveria passar 10km com 53:20minutos. Corri com o grupo das 3:40h, mas notei que, como eles largaram um pouco mais devagar, terminaram aumentando muito o ritmo depois para poder entrar na meta. Decidi manter-me atrás, no meu próprio ritmo. Chegando à State Avenue, passamos pelo famoso Teatro Chicago onde tinha uma banda tocando. Estávamos no centro de Chicago, e as ruas eram literalmente entupidas de gente (maratonistas nas ruas e espectadores nas calçadas). No final da State, como combinado com Lúcia Helena, procurei-as mas não consegui achá-las, apesar delas terem me visto passar e até gravado. Os espectadores não paravam de gritar coisas do tipo “Go runners” ou “good job” ou “you can do it” e isso, por incrível que pareça, realmente nos impulsiona para continuar correndo. Passei os 10km com 52:50min, ou seja, 30 segundos abaixo da meta, e a partir daí, conforme planejado, eu deveria correr 10 segundos mais rápido em cada quilômetro. E bem que eu tentei, mas não conseguia chegar nos 5:10min por km, o que já era um indício que aquele não era meu dia (e nem o da grande maioria dos corredores que ali estavam). A temperatura realmente estava elevada demais. No km 18, as pernas já começaram a pesar indicando que algo estava errado. Passei a me perguntar o porquê de estar cansando tão rapidamente, apenas com 18km corridos, ou seja, não estava ainda nem na metade da prova. Lembrei de todo o treinamento realizado nos últimos 10 meses, intensificado nos últimos 4 meses, com treinos de até 33km, sem problema. Mas logo notei que o tempo era o diferencial. Até nos meus treinos de 33km, sempre treinei começando as 5h da manhã, terminando às 8h, quando o sol ainda não estava tão quente, mesmo em Natal. O problema não é correr uma maratona com temperatura elevada, o problema é não treinar na temperatura esperada para o dia da prova. Como a temperatura média para esse período do ano era de 6 a 18oC, eu pensava que, na pior das hipóteses, teríamos 18oC, o que seria muito melhor do que a temperatura que eu treinava. Mas largamos com 24oC e a temperatura foi aumentando durante o percurso. Outro agravante é que o percurso inicial é feito no centro da cidade, onde os grandes e bonitos prédios fazem uma sombra enorme que nos protege do sol. Mais adiante, quando saímos do centro, os prédios desaparecem e começamos a sentir verdadeiramente o sol. Nesse dia especificamente, outro problema aparecia: Chicago é chamada de windy city exatamente por ter muito vento, mas no dia 7 de outubro de 2007, além de muito calor, não tinha praticamente vento e a umidade do ar era altíssima. Tudo contribuiu para o chamado the wall (que só costuma aparecer lá pelo km 32) chegar bem mais cedo.

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