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segunda-feira, 20 de novembro de 2006

Relato da maratona (6): após a maratona.

Só alguns segundos após cruzar linha de chegada é que fui parar o cronômetro. Procurei logo o local que iria receber a medalha e ao receber meu merecido prêmio (depois de 5 meses treinando e imaginando aquela cena, é interessante como um pedaço de metal com uma tira de pano tem um valor sentimental muito maior do que o valor material do mesmo). A mesma americana que colocou a medalha no meu pescoço foi quem tirou minhas primeira fotografias. Pedi logo: "você poderia tirar três fotos minhas?". Ela sorriu e foi em frente, pareendo estar acostumada com o pedido de uma foto, mas talvez não com três fotos. Andei metros mais e outro voluntário entregador de medalha me vendo com a máquina na mão se ofereceu para bater outra foto. Pedi mais duas. Outros pediam que nós não parássemos naquele local pois os maratonistas iam chegando e iria tumultuar. Andei um pouco mais procurando comida e o local de retirar o chip do tênis. Não achei nenhum deles de imediato. Achei um área com água e peguei logo uma garrafa. Mais adiante uma parte para fotografias oficiais (daquelas que eles cobram depois na internet). Bati mais duas fotos. Após isso, entregaram o cobertor de plástico clássico, com finalidade de reter calor e não causar hipotermia. A essa altura eu tinha curiosidade de saber quem tinha ganhado. Perguntei inicialmente para uma moça da organização: "quem ganhou?"; ela não soube responder. Notei que a pergunta tinha sido formulada errada. Gramaticalmente estava correta, mas a verdade era que todos que concluíamos a maratona éramos ganhadores e a pergunta correta era: quem chegou primeiro? E assim obtive a resposta: "Gomes, from Brazil". Comecei a sorrir. Meu sobrenome é Gomes de Lima. E pensei: essa está no clima; eu fui realmente vencedor, por ter teminado, mas certamente não tinha chegado primeiro. Depois soube que o Gomes era na verdade o Marilson Gomes do Santos, corredor conhecido aqui no Brasil por já ter ganhado São Silvestre e Pan americano, mas desconhecido lá nos Estados Unidos (aliás, isso foi bom para ele, pois o próprio Paul Tergat depois disse que não o conhecia e por isso deixou ele disparar na frente, pensando que ele cansaria depois. Coisa que não aconteceu). Continuei andando e vi placas de "chip removal" (remoção do chip) , andei, retirei o broche que tinha colocado apenas para garantir que o chip não cairia durante o percurso e deixei que o voluntário retirasse o plástico que amarrava o chip. Continuei andando procurando comida (classicamente, após a chegada, há pão, gatorade, frutas, etc). Vi então os caminhões e procurei o meu (número 38). Começava no número 1 e vi que ia demorar um bocado até chegar no 38. A comida ia ser destribuída em cada caminhão e decidi pegar logo nos primeiros caminhões. Fui comendo pão, tomando gatorade e segurando a medalha para que ela não caísse, afinal eu não a ganhei, mas sim a conquistei. Para meu azar, quando chegou no caminhão 26, inverteu-se a numeração e foi para o caminhão 64, passando a contagem a ser regressiva. Vi que iria andar mais do que gostaria e comecei a me preocupar com Lúcia Helena e Natália que, conforme combináramos, me esperavam na rua 66. Enfim cheguei no meu caminhão 38 e peguei minha sacola com meu material. Aproveitei para pegar mais um saco com comida. Ainda estávamos no Central Park, mas já à altura da rua 82 pelos meus cálculos. Comecei a voltar em direção à rua 66. Quando pensei como iria trocar de roupa, vi um maratonista (não sei se americano) sem pudor que simplesmente se virou para o lado de um caminhão e tirou a roupa, aparecendo a bunda branca (não muito diferente do resto do corpo, mostrando que certamente não era de um local de muito sol) e vestindo rapidamente uma roupa enxuta e provavelmente mais aquecida. Continuei minha jornada em busca do meu suport team e já fora do Central Park ainda andei por várias ruas até, enfim, encontrar Lúcia Helena e Natália que já estavam preocupadas e que já iam me procurar na parte médica. Lúcia Helena já estava pensando que ou eu não tivera terminado no tempo esperado ou tivera algum problema durante o percurso. Felizmente, nenhum dos dois aconteceu. Fomos para um canto da rua e enrolado pelo cobertor, troquei o calção molhado por uma calça jeans, mas, ao contrário do americano sem pudor, mantive a cueca e a bunda coberta. Ninguém notou (pelo menos, espero que não). Antes, batemos algumas fotografias. Conforme planejado anteriormente, estávamos prontos para pegar o táxi para irmos comemorar no restaurante Beni Hana na 55th Street, obviamente, como de costume entre os maratonistas, com a medalha no pescoço, mostrando a todos que tinha concluído o percurso. O garçon do restaurante bem como várias pessoas depois no teatro do Rei Leão que fomos à noite notaram minha medalha. Fomos, na manha do dia 6, ao Tavern On the Green, no Central Park para comprar a camisa dos Finishers ("terminadores") e algumas camisas que tinham sobrado da Expo e que estavam com o preço um pouco mais baixo. Aproveitei ainda para comprar o exemplar do The New York Times para confirmar meu tempo final e classificação. Abri o sorriso quando vi na página 12 da section F escrito "9195 Lima, J 3:51:33", indicado que eu chegara na posição 9195 com o tempo de 3 horas 51 minutos e 33 segundos. Como mais de 38 mil tinham largado, o número 9195 não parecia tão elevado assim nessa corrida de tantos participantes. Tradicionamente, no dia seguinte, os maratonistas devem sair na rua com as respectivas medalhas no pescoço, e foi o que fiz. Inicialmente, timidamente, mas quando comecei a encontrar "colegas" maratonistas com suas medalhas já no elevador do hotel, vi que estava no caminho certo. E todos, vendo a medalha no pescoço, parabenizavam, perguntavam o tempo, diziam que já tinham corrido há alguns anos, etc. No metrô, no teatro, nas lojas, no hotel e, por fim, no aeroporto continuei a exibir com orgulho minha medalha, conquistada com muito esforço, treinamento e disciplina nos últimos 5 meses. Pegamos o vôo da Delta Airlines na noite da segunda feira com um orgulho de ter conseguido o que tínhamos planejado e com um gostinho de quero mais, ou melhor, menos... do que as 3 horas e 51 minutos.

10 comentários:

  1. Parabéns pelo seu blog. Também sou corredor e fiz a maratona de Chicago este ano. Fica como dica de futuro destino de corrida.
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  2. Obrigado, Roberto! Acessei seu site e achei muito interessante. Pretendo correr the majors marathons que, alem de NY, inclui Chicago, Londres, Berlin e Boston. Obrigado pela dica de Chicago.

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  3. Dr. Josivan

    Parabens pela conquista!!! Realmente uma experiencia impar para qualquer pessoa. Muita garra, muita forca de vontade e muita perseveranca, acima de tudo. E... nao esquecendo: Fé em Deus e confianca em si mesmo!!
    PARABENS!!
    Um forte abraco dos amigos de Barcelona/Espanha
    Neide Rosane e Jose Luis

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